20 – O JULGAMENTO

TAROT – CARTA DO DIA

O JULGAMENTO – ARCANO XX – por Vanda Cardiga

Apesar da carta se chamar julgamento, na realidade ninguém é julgado, não é necessário porque todos ascendem ao som da trompeta do anjo. O som da trompeta… nos relatos bíblicos, e não só, representa um papel importante,  pois o som da palavra cria vibrações e precede a criação! Este processo na Cabala, basicamente passa pela “Sephirah Daath”. O Julgamento está associado ao elemento fogo e ao planeta plutão. Plutão, energia de morte e transformação está associado a Daath. Esta Sephirah é conhecida como o Abismo, o desconhecido, a entrada para a Vida, e saída para a Morte. Somos originários de Kether, separamo-nos da unidade e encarnamos pelo pai e mãe (Chokmah e Binah) e saímos para a vida física em Daath. Na morte física o processo é inverso. Na carta do Julgamento vemos um ser feminino e outro masculino, através dos quais encarnamos ou representam na Cabala os pilares da Severidade e Misericórdia, respectivamente. Pelo Pilar do meio, o do Equilíbrio, encontra-se Daath (chakra laríngeo) e Yesod (chakra sexual), nesta última Sephiroth, encontra-se a serpente de fogo enrolada à volta de Yesod, que será canalizada, ascendendo pelo Pilar do meio, pelo canal central do corpo subtil que é conhecido como Sushuma, através do equilíbrio dos 2 pilares laterais, chegando a Kether através de Daath. O nível de consciência evolui, através da abertura dos chakras superiores: Laríngeo, Adjna e Coronário. Daath, está situada junto à laringe, ligada ao som, à palavra, assim sendo, o toque da trompeta do anjo, pode estar situado com o som, com a correcta palavra que é necessária, eu diria obrigatória, para este nível de evolução, por este motivo é que Hermes, ou Mercúrio (grafismo doutras cartas), o deus ligado à comunicação, segura o caduceu (elevação da energia kundalini). A carta do Julgamento está ligada à Ressurreição e/ou Renascimento, um nível mais elevado, onde a nossa verdadeira natureza é descoberta e exposta. A ligação não é apenas individual, é também uma ordem maior onde todos os seres se encontram ligados e dependentes uns dos outros, a libertação é colectiva, pela aceitação do próximo, pela falta de julgamento, pela compaixão.

Nesta carta é-nos pedido/exigido uma grande mudança, morremos para aquilo que fomos no passado, usamos a nossa sabedoria interna. O momento da alteração é aquele e não outro, o que era passado deve ficar mesmo para trás e não deve haver medo do desconhecido. Quando chega a hora, não há alternativa senão prosseguir, a vida dá-lhe uma 2ª oportunidade, os velhos hábitos terão de ficar para trás. 

Este texto é da autoria de Vanda Cardiga.